Preço do milho dispara: entenda por que o grão está mais caro e como isso afeta o Brasil
O milho registrou em março de 2025 o maior preço dos últimos três anos no Brasil. A combinação de estoques baixos, demanda aquecida e atraso na colheita preocupa produtores e impacta diretamente o bolso do consumidor.

Nos últimos meses, o milho voltou ao centro das atenções no cenário agropecuário brasileiro. O grão, que tem papel estratégico na alimentação animal e na indústria, atingiu em março de 2025 o maior preço registrado nos últimos três anos, ultrapassando a marca simbólica de R$ 90 por saca em Campinas (SP), segundo dados do Cepea/Esalq-USP.
A alta nos preços não acontece por acaso. Vários fatores se somam para explicar esse salto: menor disponibilidade no mercado interno, estoques iniciais baixos, demanda aquecida de setores como o de proteínas animais e biocombustíveis, além de atrasos na colheita da safra de verão em alguns estados produtores.

Instituições como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e universidades como a USP e a UFLA (Universidade Federal de Lavras) acompanham de perto essa movimentação, já que ela tem impactos tanto econômicos quanto sociais.
Oferta menor, demanda crescente
Tradicionalmente, o início do ano é um período de menor disponibilidade de milho no Brasil, uma vez que a colheita da segunda safra (a chamada “safrinha”) ainda está distante. Neste ano, essa janela crítica se intensificou devido a atrasos na colheita nos estados do Sul e Sudeste.
Ao mesmo tempo, a demanda não dá sinais de trégua. Setores como o de aves, suínos e ovos, que utilizam o milho como base na formulação da ração, têm ampliado a produção, pressionando ainda mais o consumo. As usinas de etanol à base de milho, em franca expansão no Centro-Oeste, também elevam a competição pelo grão. O resultado? Preços em disparada e preocupação com o repasse dos custos ao consumidor final.
O que mostram os números da Conab
O 6º levantamento da safra 2024/25 divulgado pela Conab reforça esse cenário. Apesar da estimativa de aumento de 6,1% na produção de milho em comparação à safra anterior, o crescimento não foi suficiente para frear a valorização dos preços neste momento de entressafra.
Confira na tabela abaixo os principais dados:
Tipo de safra | Área (mil ha) | Produtividade (Kg/ha) | Produção (mil toneladas) |
1ª Safra | 3.745,8 | 6.636 | 24.857,3 |
2ª Safra (safrinha) | 16.748,6 | 5.703 | 95.515.8 |
3ª Safra | 649,4 | 3.676 | 2.387,1 |
Total | 21.143,8 | 5.806 | 122.760,3 |
Fonte: CONAB.
Mesmo com o aumento na produtividade média, os estoques iniciais de milho em 2025 ficaram em apenas 2,04 milhões de toneladas, contra 7,2 milhões em 2024, uma queda expressiva de 71%. Essa redução nos estoques deixa o mercado mais vulnerável a oscilações, principalmente em anos de clima instável ou problemas logísticos.
Impactos no bolso e na cadeia produtiva
O aumento no preço do milho afeta diretamente o custo da alimentação animal e, por consequência, pressiona os preços da carne, do leite e dos ovos para o consumidor brasileiro. Além disso, a logística encarece ainda mais o cenário: como o milho compete espaço nos armazéns e no transporte com a soja que está em plena colheita, muitos compradores preferem aguardar, o que reduz a liquidez no mercado.
Veja os principais efeitos percebidos atualmente:
- Aumento do custo de produção para granjas e criadores de suínos
- Redução da margem de lucro dos produtores de proteína animal
- Alta nos preços de alimentos derivados, como ovos e carnes
- Crescimento do interesse na importação de milho, especialmente da Argentina
- Dificuldade de escoamento do milho armazenado em regiões distantes dos centros consumidores
Milho em alta: e agora?
A valorização do milho em 2025 não é apenas um fenômeno de mercado: ela aponta para a necessidade de melhor planejamento logístico e de armazenamento no país.
O Brasil, que é um dos maiores produtores e exportadores do grão no mundo, precisa investir em infraestrutura para evitar gargalos que elevem artificialmente os preços durante a entressafra. Além disso, o episódio serve como alerta sobre a dependência de insumos agrícolas e a importância de políticas públicas para estabilizar o mercado.
Referência da notícia
Acompanhamento da safra brasileira de grãos: Safra 2024/25 – 6º levantamento (Vol. 12, No. 6). 13 de março, 2025. Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).