Retrospectiva 2022: os eventos climáticos que marcaram o Brasil e o Mundo
O ano de 2022 foi inesquecível para muitos em termos de eventos climáticos memoráveis. Reveja aqui alguns momentos marcantes desde inundações até furacões e nevascas que entraram para a história.
Reta final do ano de 2022 e com muita história para contar em termos climáticos. Muitos eventos marcaram o ano e entraram para a história, desde inundações, furacões até nevascas. Reveja agora os eventos climáticos mais impactantes dos últimos 12 meses.
Eventos climáticos adversos têm se tornado cada vez mais comuns ao redor de todo o globo. O tempo e o clima mudam naturalmente conforme a época do ano e a localidade, isso é fato. No entanto, também é indiscutível a ação do homem nessas mudanças climáticas que têm destruído casas, famílias e a própria natureza. Enchentes cada vez mais frequentes, furacões, nevascas, queimadas e muitos outros efeitos do clima impactaram o ano de 2022 em todo o planeta.
Casas congeladas após nevasca em Boston
Um dos momentos mais marcantes de 2022 aconteceu logo em janeiro em Boston, quando um vento feroz intensificou rapidamente um ciclone bomba que atingiu áreas do meio do Atlântico ao Maine. O resultado foi impactante e assustador quando a neve pesada e os ventos com força de furacão resultaram em uma nevasca que gerou condições de branqueamento em muitas áreas.
A nevasca foi tão intensa que em Boston foi medido um total de 23,8 polegadas de neve, o que fez desta tempestade a sétima pior na história. O que ganhou destaque também neste evento extremo foram as casas congeladas pela água do mar por conta dos borrifos levantados pelos ventos com força de um furacão que atingiram mais de 160km/h em algumas áras. Casas em Brant Rock, em Massachusetts foram encobertas e congeladas.
Os sobreviventes dos tornados de 2022
Durante o ano de 2022 foram registrados cerca de 1.330 tornados no Texas de acordo com dados preliminares de tempestades do Centro de Previsão de Tempestades (SPC), aos quais devastaram cidades, desenraizaram famílias inteiras e deixaram o sentimento de "gratidão" aos que conseguiram sobreviver aos eventos de tempo severo considerado o mais mortal da natureza.
Em 21 de março deste ano, um forte surto de tempestade alimentou um poderoso tornado EF3 que atingiu Jacksonboro, Texas. O tornado danificou pelo menos 80 casas e feriu nove pessoas ao passar pela cidade localizada a noroeste de Fort Worth. O funil continuou se movendo para o leste e criou uma destruição generalizada na Louisiana. Aliás, no Lower 9th Ward de Nova Orleans, um feroz e mortal twister EF3 invadiu uma área que o furacão Katrina e o furacão Ida impactaram fortemente.
De abril a junho mais de 500 tornados foram relatados nos Estados Unidos. Depois disso, o número diminuiu à medida que os meses de verão começaram, mas isso não durou muito tempo. Em novembro, mais rodadas de tempo severo se espalharam por todo o país.
Por fim, em meados de dezembro, um tornado EF2 atingiu Killona, Louisiana, que está localizado a cerca de 40 quilômetros a oeste da cidade de Nova Orleans, devastada pela tempestade. Pelo menos uma pessoa morreu e várias ficaram feridas após o tornado que derrubou linhas de energia e bloqueou estradas.
As inundações que se tornaram históricas
No meio do verão nos Estados Unidos, cinco áreas experimentaram eventos extremos de inundação de 1 em 1.000 anos, ou seja, um nível que não é atingido a qualquer momento e o rastro de destruição é impressionante. No mês de junho, o Parque Nacional de Yellowstone foi fechado por conta de chuvas intensas e sem precedentes. Neste caso, mais de 10.000 visitantes foram evacuados pela primeira vez na história devido às enchentes.
Em Dallas neste ano, após uma seca de 67 dias, uma forte chuva atingiu a cidade em um período de 24 horas, deixando prédios inundados, carros submersos e fez com o rio Trinity aumentasse muito além de sua linha normal de água.
Inundações consideradas épicas e também mortais foram relatadas em St Louis, leste de Kentucky, sudeste de Illinois e Death Valley. Após esses episódios, o fundador e CEO da AccuWeather, Dr. Joel N. Myers, estimou que o dano total e a perda financeira resultante da inundação repentina e catastrófica variaria entre US$ 4,5 bilhões e US$ 6 bilhões.
O poder destrutivo do Furacão Ian
O Furacão Ian entrou para a história dos eventos climáticos mais extremos após seus ventos destrutivos, tempestades desastrosas e totais de chuva impressionantes para a Flórida no final de setembro. Ian se formou no mar do Caribe central, a sudoeste da Jamaica e atravessou Cuba, sobrevivendo ao terreno montanhoso da ilha antes de sofrer uma rápida intensificação nas águas quentes do Golfo do México. A tempestade foi classificada como um furacão de categoria 4.
Uma das áreas mais atingidas foi Fort Myers, onde propriedades à beira-mar ficaram espalhadas como se fossem meros palitos de fósforo pela areia. Comunidades foram destruídas e ilhas inteiras foram isoladas do continente.
Eventos extremos mais marcantes no Brasil em 2022
Começamos com o mês de abril, com um dos períodos úmidos mais extensos e volumosas nos últimos anos sobre as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e, principalmente no Sudeste.
Lembramos no trágico episódio entre o fim de março e o início de abril, quando os acumulados históricos de 500 a 800 mm somaram-se em apenas 5 dias no litoral norte paulista e no sul do Rio de Janeiro, onde, em Angra dos Reis, pelo menos 15 pessoas morreram.
No entanto, o evento mais trágico de 2022 foi no Nordeste. Devido à combinação do fenômeno La Niña e das águas mais aquecidas do norte Atlântico Sul, chuvas torrenciais e persistentes provocaram a morte de mais de 100 pessoas no leste de Pernambuco. A maior tragédia do estado em 50 anos.
Ainda falando de chuvas volumosas, de setembro a outubro, a sequência da precipitação na Região Sul, em especial sobre a o Paraná, sul do Mato Grosso do Sul e bacia do Iguaçu, proporcionou uma vazão 10 vezes maior que o normal nas Cataratas do Iguaçu.
A persistência do fenômeno La Niña também contribuiu para eventos de frio mais intensos, sendo o mais forte e marcante, o que ocorreu no fim de maio com o avanço de uma intensas massa de ar polar que espalhou o frio para praticamente todo o Brasil, trazendo a primeira onda de frio de 2022. No Rio de Janeiro, nas regiões mais elevadas, registrou-se as temperaturas mais baixa do Brasil com mínimas de -9,2°C a -7,6°C, favorecendo a formação de fenômenos raros de inverno!